Naturalmente Capoeira trará informações baseadas na cultura popular brasileira.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Mandinga

"Quem não pode com mandinga não carrega patuá..."

Há muita confusão quando fala-se em mandinga ou mandingueiro. É fundamental estudo, pesquisas e bom entendimento quando usamos alguns termos dentro ou fora da capoeira.

Mandinga pode ter diferentes interpretações, cabe o bom capoeira saber utiliza-la no momento apropriado!

No Brasil colonial, Mandinga era um grupo\nação de origem africana que praticava o islamismo como religião. Para quem não sabe o islamismo nasceu da Arábia Saudita e logo se difundiu para a África tornando-se atualmente a religião mais praticada no continente africano.


Os mandingas carregavam, em forma de colar pendurado no pescoço, um patuá feito de couro com inscrições de trechos do alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Dentro deste entranhado de couro os mandingas guardavam objetos sagrados, como osso humano, balas de chumbo e moedas de prata. Eram defumados com incensos e ervas e enterrava-se à meia noite em uma encruzilhada.


A função deste patuá era evidentemente espiritual com fundamentalismo na cura e proteção. Era uma medicina mágica com implicações corporais e espirituais. Na falta de médicos, os curandeiros e feiticeiros criavam o seu próprio modo de precaver ou curar  de doenças e maus da época.


Muitas vezes, os Mandingas eram escolhidos para funções de confiança, como capitães do mato ou feitores, pelo fato de serem considerados mais inteligentes ou mais instruídos que outros grupos. Eram os únicos conhecedores da escrita, capacitados para interpretar gestos e palavras islâmicas e de contrapartida aquele que não soubesse seria capturado como foragido.


Os mandingas eram ricos, um povo que controlava mais de 400 (quatrocentas) tribos no império Mali. Feiticeiros negros conhecidos como calundeiros, curandeiros e feiticeiros. Mas foi pela denominação de mandingueiros que chegaram até a capoeira.

Alguns capoeiristas tratam o termo mandingueiro àquele que têm malícia, experiência e audácia dentro do jogo da capoeira. Pode representar a habilidade em surpreender um adversário através da gestualidade. Uma esperteza apreciada e admirada pelos amantes da arte.


A gestualidade somada à experiência e os efeitos na eficiência de alcançar os objetivos dentro do jogo, somado ou não ao lado espiritual do indivíduo, tornam o capoeirista um mandingueiro qualificado.


"Bota mandinga no jogo, bota que eu quero aprender,
bota mandinga no jogo, que eu jogo com você..."

4 comentários: