Naturalmente Capoeira trará informações baseadas na cultura popular brasileira.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

TODOS SOMOS UM



Em ânsia de libertação, ambição de dias melhores é tempo de união! Todos somos um chegou em boa hora e agora não retrocederemos! Vamos em frente nesta árdua batalha pelo reconhecimento e consequentemente supriremos as reais necessidades de todo um segmento! Viva a capoeira porque ela é viva e enquanto viva estiver haverá esperança de conquistas! Juntos, unidos e aliados temos tanta força que nem nós sabemos, descobriremos um dia e a partir daí invencíveis seremos! A fé é nossa guia e nos direciona a bons caminhos! Façamos história e no futuro a memória a nós retornará!


quinta-feira, 10 de março de 2016

Roda de Capoeira: diferentes visões


O que define uma roda de capoeira é a sua pluralidade de interpretações e  concepções direcionada pelo ritual, ancestralidade e tradições transmitidas de gerações para gerações.

O círculo que forma a roda é conhecido na cultura africana e indígena como uma corrente de energia cíclica que circunda todo o ambiente da manifestação, e entre a diversidade de diálogos é capaz de transcender nossos entendimentos e limites.

Magia pura! Encantamento, felicidade e aprendizado constante... A roda ensina do mais novo ao mais experiente, lições de vida e evolução! Puro sentimento, deixar-se levar pelo som dos instrumentos e pela cantoria repetitiva que é capaz de levar o indivíduo ao transe!

Berimbaus que conversam entre si, pandeiros e percussão trocam informações e complementam a mensagem da bateria aos jogadores, que além de conversarem corporalmente entre si, respondem ao som da musicalidade que leva o espectador a bater palmas e cantar. Tudo isso conectado em uma só energia!

O mais interessante é que cada Roda de capoeira têm sua própria característica, que muda de região em região, de mestre para mestre, linhagem para linhagem... Entre as tantas verdades, cada roda ensina, diferentes visões, mas que geralmente levam para um mesmo caminho! É como a casa, o lar, de um ancião. Tem suas rotinas, suas regras e um bom visitante precisa interpretar e saber respeitar o espaço do ancião.

Não há "juízes" mas todos julgam, e de cada lugar da roda a visão do movimento e do diálogo entre os jogadores é diferente... O que você vê de um "lado" da roda, outro colega talvez não veja do "lado" dele, o que torna o jogo subjetivo dentro de uma grande objetividade e eficiência camuflada na dança e ginga dos corpos maliciosos e audazes.

Indefinível portanto! É sentir, viver, participar para saber o que significa a Roda e que a roda de hoje será diferente da roda de amanhã...


domingo, 6 de março de 2016

O Tambú e o Candongueiro!

Falar de tambores não é fácil. Conotações naturais e sobrenaturais ilustram as pesquisas teóricas e de campo para engrandecer o conhecimento do leitor.

Ligados e conectados aos rituais que se relacionam às danças, à música, à literatura e à religiosidade a força dos batuques está presente como elemento fundamental, chegando a exprimir a identidade profunda de uma música intimamente ligada ou de uma linguagem falada.


"Chama sinhá candongueiro chama sinhá
Chama sinhá candongueiro chama sinhá
Pode me chamar que eu vou
Pode me chamar que eu vou"

"O repicar do Candongueiro atravessa os vales, avisando aos jongueiros das fazendas distantes que é noite de Jongo." Jongos do Brasil


O Jongo é desenvolvido ao som dos tambores, o Tambú, ou caxambu (som grave) e o Candongueiro (som agudo). Tambores primitivos feitos de tronco escavado de árvore e couro animal pregado na madeira. De origem Banto conhecidos como "NGOMA" em Angola e no Brasil, aquecidos e afinados no calor de uma fogueira onde o fogo "estica" a péle e afina naturalmente o tambor. Também utiliza-se barricas de vinho como estrutura dos tambores.


Fabricados pelas comunidades quilombolas de maneira artesanal, carregam em si um grande significado de vínculo com os ancestrais. Na religiosidade africana o tambor é uma entidade que faz a ligação e a comunicação entre os planos espirituais e terreno. No Jongo cada tambor é considerado como um integrante da roda por representar a ligação entre a comunidade e a ancestralidade jongueira.

No início da festa os jongueiros saúdam os tambores e pedem a benção aos "mais velhos" tocando no couro em sinal de respeito e ao final repete em sinal de gratidão.

"Oh Tambú, meu tambú
quando eu for me embora para bem longe

quando eu for me embora para bem longe
eu levo comigo
esse som que bate forte no meu coração"



sábado, 13 de fevereiro de 2016

Um momento para TODOS!

Em um universo em que o brilho muitas vezes ficou restrito ao individualismo, nos trouxe até aqui a figura de poucos heróis para a história atual, exaltando uma ou algumas qualidades pessoais que tornaram esses heróis espelhos à novas gerações.

A capoeira é individual?

Atualmente os caminhos têm se demonstrado contraditórios à capoeira de outrora e o coletivo vem conquistando um espaço imenso nas perspectivas futuras. Somos uma classe, um conjunto e organizados teremos representatividade forte e eficiente dentro de um sistema de poderes, burocracias e leis.

Já não somos tão bobos e alienados ao nosso vício de apenas "jogar" capoeira, estudamos, aprendemos novos caminhos e manobras, nos especializamos em outros departamentos e segmentos sociais. Estamos em um forte processo de união e a "deficiência" de um será suprida pela "excelência" de outro, a "ignorância" de um pela "inteligência" de outro e nesta troca de figurinhas, seremos completos e fiéis aos nossos princípios.

Quando comecei, ser reconhecido dentro do grupo já era uma vitória, afinal o grupo era quase fechado e muito grande, mas não era a filosofia de um único grupo e sim, uma tendência filosófica de levar a capoeira! Um egocentrismo e um egoísmo exagerado onde "aqui" é certo e "lá" é errado, o que você aprende "aqui" é segredo, intocável, é "nosso"! Hoje não, que bom que existe evolução e posso perceber que amigos não necessariamente vestem a mesma camisa e podem se encontrar para trocar qualquer tipo de "segredo", que já não é um segredo, um caminho, uma ajuda, um auxílio, seja ele físico, técnico, rítmico ou burocrático.

O coletivo têm força e neste processo de sobrevivência, união, não só faz a força, como também, vence batalhas! É um momento especial... Sejamos humildes, pacientes e flexíveis para evoluir no conjunto. Vamos parar de andar em círculos e bater cabeça, pois é tempo de um capoeirista não concorrer com outro capoeirista e sim dar as mãos para vencer o sistema nem que para vencê-lo seja necessário ingressar dentro dele.

Inspirado no Movimento TODOS SOMOS UM
e na amizade com outros capoeiristas que deixam de lado sua vaidade pessoal para ajudar o próximo com projetos, empregos, indicações de trabalho, etc...

axé a toda CLASSE capoeirística.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Um conflito de denominações em um universo de contradições!

Não é uma crítica! É reflexão, pensamento e exposição para um coletivo de confusões (me insiro nele) encontrar um caminho...

Sempre ouviu-se que ou se é capoeira Angola ou capoeira Regional até que apareceu há aproximadamente duas ou três décadas, o termo "contemporânea". Termo este, que para muitos não pode ser classificado como um "estilo" de capoeira.

Muitos defendem a capoeira como um Todo, "capoeira é uma só", como dizia Mestre Canjiquinha e como desabrochou a capoeira em São Paulo, livre de paradigmas e preceitos. Seria mais simples assumir a capoeira como simplismente Capoeira?

Alguns angoleiros de fato, não aceitam essa pluralidade, defendem uma capoeira tradicional, com linhagem e ancestralidade. Por outro lado, "filhos" de Bimba, herdeiros da capoeira Regional quando vêem a capoeira atual que se denomina Regional contemporânea, afirmam com propriedades que passa longe da Regional tradicional de Mestre Bimba. 

Então se a capoeira que ganhou o mundo, que é a mais jogada atualmente, dentro desta pluralidade de expressões e "novos" rituais e tradições, como deve ser denominada, classificada ou rotulada, se não é Angola ou Regional?

Temos que retroceder? não aceitar evoluções? Podemos evoluir e manter as tradições dos antigos? Deve-se apenas escolher um de dois (02) caminhos e se engessar no tempo?

Particularmente acredito que muitas destas respostas não serão encontradas na roda de capoeira, ou nos livros de fundamentos e história e sim no próprio indivíduo capoeirista, quando ele deixar de criticar, julgar, desfazer e diminuir a escolha do outro e consequentemente admirar, respeitar, interagir e aprender com as diferenças apresentadas na tradição ou nas evoluções.

A partir daí voltaremos ao simples e natural, onde cada qual apresenta suas qualidades, ensinando ou aprendendo, se divertindo na "vitória ou na derrota" livre de uma competição para ver quem é maior ou melhor ou "dono da razão", e somente quem vai ganhar e estar à cima de tudo é a CAPOEIRA.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Umbigada e seus significados

O ato de dar a umbigada em grande parte das manifestações de origem africana é um dos movimentos mais tradicionais e característicos desta cultura rica e grandiosa que atravessou o oceano atlântico e chegou ao Brasil. É claro, sofreu grandes ou pequenas transformações, mas manteve toda uma essência e fundamentalismo do povo africano.

Chamada de Semba na lingua quimbundo dos negros bantos de Angola, a umbigada era efetivamente a regra, mas com o tempo, costumes e tradições locais substitui-se em determinados locais e determinadas dança,s a umbigada por gestos equivalentes, simulando a semba, como toque de perna, aceno de um lenço ou o próprio gesto mímico.


Neste Blog enfatizamos a beleza e as tradições do Jongo. Pode-se dizer que o Semba deu luz ao Jongo que por sua vez deu origem ao samba moderno. E realmente no jongo não preserva-se a umbigada de fato, mas o gesto representativo da umbigada. Talvez pelas pressões e influências da igreja católica na censura do toque na umbigada em conotação sexual.

Além do jongo pode-se destacar inúmeras danças afro brasileira de umbigada: Tambor de crioula, Punga, Cacuriá, Samba de roda, Coco, Lundu, Batuque...


Dentre estes exemplos reais e vivos de danças e manifestações afro, as umbigadas podem ser alternadas via regra, entre Homens e Mulheres ou simplesmente entre Mulheres. A umbigada entre homem e mulher remete à reorganização do universo. O umbigo é o nosso primeiro meio de comunicação com o universo, canal de alimentação entre filho e mãe. O umbigo é visto como o centro do corpo que se conecta com as energias de todo o universo.

O movimento da umbigada é uma troca de energia entre dois corpos. Expressam na dança e na gestualidade, cerimoniais de fertilidade e núpcias da região de Congo e Angola. Dentro da cultura Banto a umbigada celebra o momento único em gratidão ao dom da concepção.


Aos olhos do europeu, via-se uma conotação sexual, na qual, a separação entre sagrado e profano não existia. Na visão de matriz africana a sensualidade não é pecado! Por este motivo o batuque não acontecia de dia, somente sendo permitido pela noite, longe dos olhares das crianças, e após o fim da escravidão, somente fora dos centros urbanos, resistindo então, nos ambientes rurais.

A resistência desta rica cultura deve-se à força da ancestralidade e a todos que buscam, estudam e vivenciam dentro das comunidades especificas, toda e qualquer informação para ajudar a perpetuar o que as comunidades já o fazem transmitindo o saber de geração para geração.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Musicalidade na capoeira

Não existe capoeira sem música!
E para o corpo mover-se, seja em forma de dança, luta ou ambos, que seja música boa...


A capoeira é expressão, dialogo corporal, comunicação e gestualidade, e o ritmo é o principal condutor e mediador deste universo. A musicalidade, através da bateria, vai ordenar a cadência dos corpos e reger como o jogador deve se comportar.

Para um capoeirista experiente é fundamental que haja a conexão entre o ritmo da bateria e do canto com o momento na roda. A música emana energia, sentimento e informações que aquecem o corpo, o espírito e a alma do jogador...

Não há nada melhor do que se deixar levar pela boa musicalidade na roda de capoeira ou em qualquer outra manifestação. A bateria ensina o jogador, o berimbau da lições de fundamentos e o canto informa e narra a história que aconteceu, que está acontecendo ou está para acontecer!

"A capoeira, através do ritmo, é capaz de colocar passado e futuro no momento presente."


A harmonia do ritmo e a conexão da bateria com todos os elementos que compõe uma roda de capoeira são capazes de elevar a capoeira a outro plano, dentro de uma fé livre e individual, através da ligação com a ancestralidade.

Atualmente o capoeirista que não estuda a musicalidade na capoeira fica incompleto para transmitir a verdadeira essência de uma roda, e dentro das limitações individuais é fundamental conhecer, saber e propagar a importância da música na capoeira.


* Esta postagem foi retirada do livro (ainda não publicado) de minha autoria (Antonio Carlos C. Cunha - Cacá), CAPOEIRA - A ARTE DE CELEBRAR A VIDA!